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A didática das cidades reféns dos caminhões e dos…

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Quem, afinal, dirige esses caminhões? Ou seria: quem manobra?

Essa situação de desabastecimento, que faz as cidades (milhares e milhares de pessoas) ficarem sitiadas e reféns (de apenas uma dezenas de pessoas), motivados por fins corporativos, e que atentam contra o interesse público, é externamente didática, pelo menos, e até o momento, em alguns aspectos, que rapidamente elencamos:

  1. Sobre o ponto de vista da economia, revela: a inaceitável dependência do transporte por caminhão. É preciso (re) construir ferrovias, p.ex.;
  2. Sobre o ponto de vista da política, revela:
    1. a tentativa oportunista, de uma direita reacionária e golpista de imputar ao governo federal (e as esquerdas) as consequências negativas (e são muitas) de tal ação, mesmo que isso signifique desrespeito ao Poder Judiciário, a Constituição e a ameaça a democracia. É preciso que os MPs, guardiões da Constituição, ajam de imediato;
    2. a tolerância (e até o estímulo) da mídia tradicional com bloqueios infinitamente maiores (e violentos) do que outras categorias de trabalhadores (como professores) costumam realizar. Sem falar nas dificuldades e inconvenientes gerados, especialmente para uma população com baixa ou pouca renda;
    3. a facilidade de manipular uma categoria de trabalhadores por interesses ideológicos (patronais e partidários). É preciso mais educação;
    4. o compromisso da mídia tradicional em distorcer os fatos, tentando transformar um movimento de direita, antidemocrático, insuflado pelos dono dos poder de sempre, em algo “bom” para coletivo. É preciso a regulação da mídia;
  3. Sobre o ponto de vista das relações humanas: não é possível que se valham da chantagem e do sofrimento alheio para que uma pequena parte da população (tenha o papel que tenha na sociedade e/ou na economia) alcance seus interesses, mesmo que sejam legítimos. Não é com violência e ameaças, sitiando cidades e arranhando a democracia que se conquistam avanços trabalhistas, sociais ou políticos. É preciso que o Poder Público, através de seus órgãos competentes, juntamente com os trabalhadores e os movimentos sociais, façam cumprir a Constituição Federal, garantindo o direito de manifestação e o Estado Democrático de Direito; e
  4. Sobre o ponto de vista ambiental/ecológico revela, ainda que de forma insignificante, aspectos de um futuro de crise ecológica, que o movimento ecológico e a ciência alertam desde muito, como o caso da crise hídrica em São Paulo, face de mesma moeda. É preciso mudar a política ambiental e acabar com o mito do desenvolvimento.

Isso é o pouco que se pode dizer da didática das cidades reféns dos caminhões, dos patrões, da mídia tradicional, da direita golpista e intolerante (que não aceita viver num o Estado Democrático de Direito, pois isso significa dividir o poder e a riqueza) e, acima de tudo, do  mito do desenvolvimentismo.

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