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Poluição do ar e da água mata mais que todas as guerras e diversas doenças graves

Cidades voltadas para o capitalismo. Como garantir qualidade de vida para todos com proteção ambiental? Foto: Antonio Soler/CEA

 

“A poluição é muito mais do que um desafio ambiental – é uma ameaça profunda e generalizada que afeta muitos aspectos da saúde humana e do bem-estar”, disse o autor do estudo, Prof. Philip Landrigan, da Faculdade de Medicina de Icahn, no Monte Sinai em Nova York.

Geralmente as pesquisas de opinião divulgadas por instituições ligadas ao capital, como os que agregam industriais e latifundiários (capitalistas da cidade e do campo), apontam que a preocupação da população se concentra na falta de saúde, de segurança e de educação. Contudo, algo esta matando mais que a falta de saúde e de segurança: a poluição, que foi responsável, em 2015, por mais mortes que doenças graves e as guerras… somadas!!!

Um estudo divulgado recentemente (19/10) pela revista científica The Lancet e realizado pela Faculdade de Medicina Mount Sinai, Nova York, em parceria com a organização não governamental (ONG) Pure Earth, que se dedica ao combate a poluição nos países pobres, é a primeira tentativa de reunir dados sobre doenças e mortes causadas por todas as formas de poluição combinadas.

A pesquisa chegou a conclusão que a poluição mata anualmente mais pessoas que todas as guerras e violência no mundo, além do fumo, da fome, desastres naturais, aids, tuberculose e malária.

Uma em cada seis mortes prematuras no mundo registradas em 2015 – cerca de nove milhões – podem ser atribuídas a doenças decorrentes da poluição do ar (responsável por 6,5 milhões de mortes) e/ou da água (que matou aproximadamente 1,8 milhão de pessoas.).

A estimativa, considerada conservadora de cerca de nove milhões de mortes prematuras por poluição ambiental, é 1,5 maior do que o número de pessoas mortas pelo tabagismo e 3 vezes o número de mortes por aids, tuberculose e malária juntos. A morte por poluição é 15 vezes mais o número de pessoas mortas em guerras ou outras formas de violência.

A pesquisa revela uma brutal injustiça ambiental planetária, pois os efeitos danosos da poluição atingem mais fortemente os países mais pobres, os quais gastam em média 8,3% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para combater os danos causados pela poluição, enquanto os países ricos desembolsam quase a metade, 4,5%. Também porque 92% das mortes relacionadas à poluição ocorreram em países pobres. Uma em cada quatro mortes prematuras na Índia em 2015, ou cerca de 2,5 milhões, foram atribuídas à poluição. Na China, as causas ambientais foram o segundo maior motivo de óbitos, causando mais de 1,8 milhão de mortes prematuras, ou uma em cada cinco.

O relatório calcula que 4,6 trilhões de dólares anuais – ou 6,2% da economia global – é o prejuízo relacionado à poluição e às mortes dela decorrentes.

Richard Fuller, um dos autores do estudo e coordenador da ONG Pure Earth afirma que: “Ministros das Finanças ainda seguem o mito de que, se não deixar a indústria poluir, não haverá desenvolvimento. Isso não é verdade.”

“A poluição é um enorme problema que as pessoas não estão vendo porque estão olhando para as suas componentes espalhadas”, diz o epidemiologista Philip Landrigan, diretor do departamento de saúde global da Faculdade de Medicina Mount Sinai, Nova York, e principal autor do relatório.

“A poluição, a pobreza, a saúde e a injustiça social estão profundamente interligadas. A poluição e as doenças relacionadas afetam mais frequentemente os pobres e os impotentes do mundo, e as vítimas são muitas vezes vulneráveis e sem voz. Como resultado, a poluição ameaça os direitos humanos fundamentais, como o direito à vida, à saúde, ao bem-estar, ao trabalho seguro, bem como às proteções das crianças e dos mais vulneráveis “, afirma Karti Sandilya, da Pure Earth, EUA.

Grande parte dessa poluição é decorrente do modelo de cidade contemporânea, voltada para atender aos interesses do mercado e não das pessoas e, menos ainda, para um convívio não predatório com o ambiente.

A forma como a cidade se expande, os modelos de construção e como ela funciona, ou seja, como se altera o ambienta natural, dizem muito sobre o papel do urbanismo na produção de poluição. No que tange a emissão de gases poluentes, o aquecimento de edifícios é responsável por 6% das emissões globais, p. ex..

 

Rio Grade e Pelotas

Rio Grande já foi considerada a Cubatão do Sul, em alusão a cidade paulista extremamente impactada pela poluição industrial. Lá e aqui a indústria química é quem polui.

Aqui também a poluição visual e atmosférica motivou, ainda na década de 70, diversas denúncias e protestos de pessoas preocupadas com suas consequências danosas na vida humana e não humana.

Esse grupo, recebendo o reforço de pesquisadores, alguns empíricos, deram origem ao CEA, que promoveu e ainda promove diversas ações de enfretamento da poluição, bem como de educação ambiental, chamando a atenção para o tema da população e sua intrínseca conexão com a injustiça social decorrente do modelo capitalista, pressionando o Estado para as devidas providencias.

Em Pelotas não é diferente. Além da poluição industrial, ainda existem os riscos da poluição por agrotóxicos, largamente utilizados nas grandes monoculturas de arroz e de soja na região, que podem comprometer a agua utilizada no consumo humano, inclusive.

Qual é o impacto dessa poluição na vida das pessoas e do ambiente? É uma resposta que as Universidades da região ainda estão devendo a população.

E se as universidades em cooperação com o movimento ambiental/ecológico, a exemplo do estudo acima divulgado, investigassem a poluição local e regional?

O Programa Mar de Dentro (PMD) (http://ongcea.eco.br/blog/?p=3967) do governo do Estado do Rio Grande, nos anos de 99/00, deu início a um ensaio nesse sentido, articulando diversas instituições públicas, científicas e a sociedade civil, num articulação técnica e política na área ambiental, nunca antes realizada e que não voltou a acontecer, pois o mesmo não foi levado adiante pelos governos posteriores.

 

Fonte: https://www.msn.com/pt-br/noticias/meio-ambiente/polui%C3%A7%C3%A3o-mata-mais-que-guerra-e-viol%C3%AAncia/ar-AAtKZ3l?ocid=sf e http://www.independent.co.uk/environment/letter-to-humanity-warning-climate-change-global-warming-scientists-union-concerned-a8052481.html#gallery

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