Você está aqui: Home » Arborização » Mito da Poda ou a Arborização Urbana Sob Ataque

Mito da Poda ou a Arborização Urbana Sob Ataque

Poda no campus Anglo da UFPel, sem justificativa aparente e realizada em desconformidade técnica, podendo levar a árvore a morte.

Chega o inverno (ou mesmo antes) e a arborização urbana sofre o seu pior ataque. Todos os anos. Ano após anos!!!

Como tantos mitos que dominam o imaginário (e também a pratica ambiental), as pessoas acreditam que é quase um dever realizar a poda de arvores no meio do ano. É o senso comum, ou seja, é conhecimento aliado a uma pratica, via de regra, sem base técnica, sem base cientifica.

Claro que muitas vezes podam-se árvores não somente pela crença na sua falsa necessidade, mas também por interesses outros, que não públicos e nem ecológicos. É o caso da valorização maior de uma placa de publicidade comercial, ou seja, remoção de “obstáculo” (no caso uma árvore) para fins de propaganda, em detrimento de um bem coletivo de extrema importância para a qualidade de vida nas cidades. Assim, se privilegia o comércio e sua propaganda e se sacrifica a arborização urbana. Fenômeno muito comum nas áreas centrais das cidades, geralmente carentes de árvores e de verde em geral.

Também é o comum o caso de podas para evitar “incômodos” como folhas e/ou frutos nas calçadas ou em veículos.

Ainda há situações de corte por empresas que se valem do cabeamento aéreo para destruição de seus produtos, como tv a cabo, telefonia e energia.

Abril de 2018, Pelotas/RS.

A poda de árvores nos meses do inverno (a chamada poda anual) é realizada tanto por interesses de pessoas físicas ou jurídicas (privadas ou publicas).

Acontece que, como dito, muitas vezes (na maioria delas) a poda e o corte são desnecessárias e, com agravante, realizados de uma forma que desconhece a melhor técnica, podendo levar a árvore a morte em médio prazo, prejudicando um direito coletivo, que é o direito a arborização urbana, garantido na Constituição e em diversas leis federais (como o Estatuto da Cidade), estaduais e municipais (como a leia da arborização urbana de Pelotas).

Diz a lei municipal de Pelotas:

“As florestas, bosques, árvores, arbustos e demais formas de vegetação de domínio público, situadas no território do município, são imunes ao corte, não podendo ser derrubadas, podadas, removidas ou danificadas, salvo nos casos expressos em lei.

Parágrafo Único – Nas áreas de domínio privado aplica-se o disposto no ‘caput’ deste artigo aos espécimes da flora nativa regional.”

Ainda chama mais atenção quando determinadas podas e cortes são realizadas por e em instituições publicas e de ensino (http://ongcea.eco.br/blog/?p=45537), como escola e universidades, justamente aqueles que deveriam, por obrigação legal, praticar a Educação Ambiental. Quando se poda de forma desnecessária e fora da técnica devida se deseduca ambientalmente.

UFPel, Campus Anglo, abril de 2018.

No caso de instituições de ensino superior a situação é ainda mais inaceitável, pois tem (ou deveria ter) todas as condições técnica, cientificas e operacionais para evitar a poda desnecessária e, quando for o caso, realiza-la dentro de padrões legais e técnicos de sustentabilidade.

Não é demais lembrar que a poda pode configurar crime ambiental, como pena de detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente, conforme o art. 49 da Lei de Crimes Ambientais (9605/98): destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia”.

Relembre entrevista dada ao Programa Nossa Luta, do Sindicato da Alimentação (parceiro nessa luta ecológica pela arborização urbana) que foi publicado no dia 08.05.2012.


Percebe-se que esse é um problema ambiental recorrente e que os órgãos que deveriam zelar pela aplicação das leis ambientais, em determinados casos, acabam por ignora-las e até autorizar determinadas podas indevidas, bem como serem seus próprios executores, como o caso do corte generalizados de arvores na Praça Pedro Osório, em Pelotas/RS. Não se dedicam a construir uma politica de arborização urbana que agregue ações de Educação Ambiental para, entre outros fins, desmitificar a crença na poda anual e nem tomam medidas de controle e combate a mesma, deixando a arborização urbana submetidas a interesses comerciais (privados) e/ou de conveniência, bem na lógica neoliberal do Estado Mínimo, como é o caso do governo municipal de Pelotas, atualmente comandado pelo PSDB e diversos aliados (PP, PSD, DEM, MDB, PTB, PSB, formando uma coligação de centro direito, apesar do PSB.)

Pelotas tem deficiência em arborização urbana (o que pode levar as pessoas a diversas doenças, como as de ordem respiratória). Mesmo assim, o governo e sua base aliada, e apesar de criticas e protestos, aprovaram, sem debate e sem base técnica, a chamada lei da motosserra no final do ano passado (veja aqui: http://ongcea.eco.br/blog/?p=42754.)

 

Corte de árvores generalizado na Praça Pedro Osório. Abril de 2018, Pelotas/RS.

Outro mito relativo a arborização urbana é pensar que cortar “só uma árvore”, ou “não faz diferença, uma mais uma menos”, não é danosos ao ambiente urbano. Mas, ao contrario, é extremamente prejudicial à arborização o corte e/ou poda, não só pela vida em si que representa “só” uma árvore, mas também porque a qualidade ambiental depende do todo e o somatório (sinergia) desse dano individual acaba sendo significativo no conjunto da arborização urbana. Isso sem sem considerar as supressões de vegetação autorizadas para obras em geral, como loteamentos.

Apesar da compensação prevista na lei, não é visto nas cidade sua efetividade e nem há transparência na sua aplicação e execução, por parte da Secretaria Municipal de Qualidade Ambiental (SQA).

Ajude a melhorar a arborização urbana: plante adequadamente árvores, evite o corte e a poda e denuncie danos à arborização urbana para a SQA e a Cia. Ambiental da Brigada Militar, já que pode configurara um crime ambiental.

Tudo só esse ano. Vai somando…

A arborização urbana é um patrimônio coletivo da cidade e deve ser protegida por todos e pelo Poder Publico. Abril 2018, zona do Porto, Pelotas/RS.

 

Corte e derrubada de arvores generalizada em área pretendida como Parque Urbano pelo movimento ambiental/ecológico. Abril de 2018. Pelotas/RS

 

Abril de 2018. Centro, Pelotas/RS.

 

Os cortes são espalhados pela cidade. Zona do Porto, abril de 2018, Pelotas/RS.

 

Poda realizada de forma tecnicamente inadequada e anel ao ao pé da arvore, cujo objetivo é matar o vegetal lentamente. Pelotas, zona central, abril de 2018.

 

Mais em: http://ongcea.eco.br/blog/?s=poda

Scroll to top